Na última terça-feira ocorreu a derradeira noite da nossa temporada em maio no Berlin! E agora agüentem (se é que alguém lê isso aqui além de mim e do Carlinhos) porque vai rolar um certo sentimentalismo nostálgico de minha parte... Mas como isto é um blog e precisa ser alimentado de vez em quando, aqui vai uma contribuição:
Acho que quase todo ser humano tem um sonho... Por um lado, por mais fudido que você seja, existe pelo menos o sonho de ter uma vida melhor. Por outro, se você tem e pode ter de tudo, com certeza ainda vai faltar alguma coisa que você não pode comprar... Pois é, meu sonho sempre teve a ver com música, com tocar, com um sentimento narcísico (do qual não tenho vergonha ainda mais agora que estudo Freud!!!) de mostrar a todos uma arte que sempre esteve latente e ter o prazer de receber a admiração alheia como retorno...
Por cima, os cinco shows no Berlin tiveram uma média de 200, 250 pessoas por noite... Isso quer dizer que, descontando aqueles que foram mais de uma vez, mais de 1000 pessoas tiveram contato com a nossa música, algo inimaginável para esta banda há menos de 1 ano... Dessas, muitas se transformaram em importantes contatos para que nosso sonho continue caminhando pra onde quer que seja... Outras que nunca haviam ouvido falar de nós, comentaram com entusiasmo sobre as músicas, as performances, como nunca havíamos visto... Mas inacreditavelmente o sentimento de felicidade de agora nada tem a ver com essas últimas linhas... Claro que a satisfação é imensa por esse progresso enquanto banda, mas existe algo a mais.
Já cheguei a duvidar que um dia experimentaria a plenitude de tocar e ao mesmo tempo transcender... É preciso tanto trabalho duro, tanta prática, tanta cobrança interna e externa para conseguir organizar, subir no palco e fazer tudo direitinho que eu nunca imaginei que o êxtase que enxergava nos olhos de meus ídolos ao tocar, aquilo que parecia ser uma sensação sobre-humana, um dia pudesse emergir da minha própria alma... Houve momentos em que as músicas voaram, fluíram de modo assustadoramente mágico... Carlinhos se contorcia e emitia sons guturais, Simão virava os olhos enquanto solava, Felipe parecia acordar de um desmaio após algumas músicas... Olhava em volta e só via amigos, todas as noites, todos sorrindo, dançando, curtindo... Pessoas que fazem questão de prestigiar nossa arte, que nos acompanham há tantos anos, que sempre nos deram tanta força, que todas as vezes são as primeiras a comprar nossos cds, a nos incentivar, a notar que 'aquele' arranjo mudou, que estamos tocando melhor... Espero ter retribuído a vocês isso tudo que vocês nos dão!
E sobre os sonhos, cada vez vai ficando mais claro que mais importante do que abraçar o mundo é a qualidade do abraço e não quantas pessoas participam dele. E hoje, mais do que isso, o que realmente importa é o quanto eu mesmo e meus amigos do culto estamos satisfeitos com o que fazemos e como as pessoas de quem gostamos igualmente estão.
postado por Magazza #
14:59