15/06/2007

 
Percepção sobre a Música

Peguei-me outro dia pensando sobre arte. A primeira pergunta que veio na minha cabeça foi: por que faço música? Como essa pergunta remete a procurar causas, que nunca bastaram para delimitar seu por que, resolvi mudar para: o que tem a música de próprio? Resolvi arquivar essa perguntar e responder quando a vida me desse alguma pista, e não é que essa pista veio logo?

Sentado na sala vendo um filme, percebi que era muito estranho eu me comover com a história de alguem que eu conheci à no máximo uma hora. Como eu poderia rápidamente já me imaginar na situação daquela personagem? Percebi que não era só uma imagem que me atingia, havia a música. Tampei os ouvidos. Restou somente a imagem em movimento, longe de mim. A visão é o sentido com o qual nos conectamos ao longe (mesmo sem luneta). Abro minha orelha e logo a música me toma, me "invade", me preenche, me diz algo intimo meu. Apesar da melodia ser para todos, quando me toca ela ja participação de uma relação de intimidade comigo.

A música tem como canal de percepção o ouvir. Mas o ouvir não é algo como o tatear? Talvez não em tudo, até por que não teriamos uma palavra para cada. Mas, se nos atermos ao fato de que o tato sempre diz respeito a algo que está próximo de mim, talvez o ouvir compartilhe esse mesmo estar perto, sempre. A diferença aparece para mim que, na música, algo ressoa dentro de mim. Já o tato é algo que tenho certeza que está fora com o qual compartilho um encontro de texturas. E por essa falta de saber quando estou dentro ou fora de mim a música me agrada.

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postado por B. Simmons  # 11:16  
Comentários:
É aí que os olhinhos viram... Belíssimas divagações Simão! Dentro e fora de si, na espiral da existência onde tudo e nada é som e silêncio e som e silêncio...
 
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