Matéria para a revista Billboard Brasil #3 (dez/2009)
"Culto a meus Rins"por Fábio Battista do
Escárnio e Osso Só aprendemos no espetacular, no sublime: e tudo é sublimável. Culto ao Rim e Berlin continuam uma longa e prolífica relação simbiótica; cada vez mais Carlinhos Mazzoni e Gabriel Maia executam uma teia mais fina e precisa com seu som desfiado desde o início das cultuações, feita entre adeptos do Culto, prestigiadores da cena instrumental paulistana, grupos sociais universitários, gametófagos de todo gênero.
A teia forma filas. Culto ao Rim é a melhor banda de todas para se ouvir na fila, você se sente parte mesmo estando de fora. uma movimentação criteriosa meio “guarda britânica”, um passo para trás, demarcação de território e scanner humano e lá dentro você está. Ah, bem melhor hoje em dia, que eles não deixam encher tanto o hall de entrada.
Eric Ferreira se expande mais quando o lance é bebop, inominável Coltrane que cicla como a hélice do helicóptero, em fantasmagorias que se tornam presente, e o presente é alegre e dança frenesi. Guilherme Granato, o puro vôo do morcego toca como numa garagem e adestra sua Boss para falar línguas de outros planetas. E os dois originais estão lá felizes como o plano que dá certo agora e sempre: a quantidade certa de gás hélio para que o balão suba e desça confortavelmente. Enquanto isso, Simmons lia e cozinhava zelosamente em seu apartamento. Felipe Corsini estava lá. Nem que desse um jeito de virar desenho.
O Culto ao Rim existe desde 2000; desde então, Gabriel “Algodão”, Felipe Camarão e Carlinhos devoraram o rock como um Pac-Man até chegar em seu quase-extremo, onde Zappa e Mr. Bungle são saxofones.