29/06/2007

 
A obra da Música - Primeiras idéias

Estava pensando nas expressões artísticas e o que cada tem como obra de arte, ou seja seu produto final. Parece que há dois grandes tipos de obra: as materias e as de execução. As primeira mantém autonomia em relação ao autor, como por exemplo um livro, o qual, uma vez feito, se entrega à mercê de quem a ele vem de encontro; esse encontro será tão diverso como são os tipos de leitores, mas, sempre partirão de um mesmo dado material: o livro. Já as de execução tem em si uma dependência direta em relação ao artista, como uma peça de teatro prescinde de atores, salvo peças muito peculiares (maldito Beckett), sem eles não há peça. Neste caso, o acesso a esta arte é menos um dado material (os movimentos e gestos da arte interpretativa), e mais uma impressão que se tem em relação ao todo: texto da peça, atuação, iluminação, etc. Se o espectador começa um devaneio no teatro perde uma cena; já no livro basta que ele respire fundo e volte ao paragrafo que leu com desatenção.

Esta divisão do tipo de obra pode ocorrer dentro de uma mesma arte, no caso da música, a composição e a execução pertencem cada qual à uma natureza distinta de obra de arte; a composição, uma vez escrita, é materialidade, sua execução ja se dá no campo do efemêro. E essa era, até uns cem anos atrás, uma caracteristica da arte músical: precisava ser executada. Com a execução sempre se evidência um lugar e um corpo aonde a música é feita: O bebop era aquela avenida cheia de jazzistas varando madrugadas a tocar música de negro para os negros, e alguns poucos corajosos brancos que iam até lá; tinha que ser naquela época e naquele lugar.

Tocar me coloca sempre em um presente, apesar de estar sempre atento ao futuro e o passado da música que estou executando a minha percepção não vai além da música executada. Também sempre estou tocando em um lugar, com certas pessoas, com uma certa luz, etc que fazem que cada vez seja única. Essa obra que não dura, esse eterno ter que refazer é algo que realmente me fascina quando toco.

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postado por B. Simmons  # 14:03 1 Comentários  

15/06/2007

 
Percepção sobre a Música

Peguei-me outro dia pensando sobre arte. A primeira pergunta que veio na minha cabeça foi: por que faço música? Como essa pergunta remete a procurar causas, que nunca bastaram para delimitar seu por que, resolvi mudar para: o que tem a música de próprio? Resolvi arquivar essa perguntar e responder quando a vida me desse alguma pista, e não é que essa pista veio logo?

Sentado na sala vendo um filme, percebi que era muito estranho eu me comover com a história de alguem que eu conheci à no máximo uma hora. Como eu poderia rápidamente já me imaginar na situação daquela personagem? Percebi que não era só uma imagem que me atingia, havia a música. Tampei os ouvidos. Restou somente a imagem em movimento, longe de mim. A visão é o sentido com o qual nos conectamos ao longe (mesmo sem luneta). Abro minha orelha e logo a música me toma, me "invade", me preenche, me diz algo intimo meu. Apesar da melodia ser para todos, quando me toca ela ja participação de uma relação de intimidade comigo.

A música tem como canal de percepção o ouvir. Mas o ouvir não é algo como o tatear? Talvez não em tudo, até por que não teriamos uma palavra para cada. Mas, se nos atermos ao fato de que o tato sempre diz respeito a algo que está próximo de mim, talvez o ouvir compartilhe esse mesmo estar perto, sempre. A diferença aparece para mim que, na música, algo ressoa dentro de mim. Já o tato é algo que tenho certeza que está fora com o qual compartilho um encontro de texturas. E por essa falta de saber quando estou dentro ou fora de mim a música me agrada.

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postado por B. Simmons  # 11:16 1 Comentários  

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